Fim da tarde de sábado, cenário pronto. De um lado, o cartaz da Viração, de outro o do Nossa São Paulo. Chega o entrevistado mais aguardado do dia. Fala mansa, olho no olho. Mesmo depois do terceiro dia inteiro de trabalho, Oded Grajew é só atenção com os virajovens. Um dos idealizadores do Nossa São Paulo e de muitas outras iniciativas que marcaram a mobilização da sociedade no Brasil como o Fórum Social Mundial e o Instituto Ethos, Oded não só respondeu às perguntas dos virajovens, do projeto Viração, mas deu também conselhos que serão lembrados por muito tempo.
Membro da secretaria executiva do movimento, Oded acredita numa nova forma de visão de mundo, em que as pessoas sejam vistas menos como consumidoras e produtoras e mais como cidadãs. Pra que isso aconteça, ele vê como essencial a organização e pressão da sociedade, o que justifica a mobilização atual e suas empreitadas anteriores.
Oded se diz animado, pois “nunca houve algo como o fórum”, com tanta participação, interesse e propostas (foram mais de 900). Ele pondera que levará muito tempo para São Paulo chegar ao ideal, devido a seu tamanho e diversidade e que é uma tarefa gigantesca, mas que a Cidade tem que dar o exemplo.
Aos 64 anos, enfatiza que a participação do jovem é crucial para qualquer mudança. “Nós podemos fazer muitas coisas, mas eles que vão carregar os projetos. Além disso, são menos contaminados pelos velhos hábitos e mais livres para pensar coisas novas”.
A motivação é fundamental para realizar qualquer coisa e é sempre necessário que haja um grupo disposto a enfrentar os desafios, pois nada acontece em cima de uma pessoa só. Segundo ele, lutar pelos seus ideais é o que lhe dá forças, além de uma grande satisfação.
Ao fim da entrevista, o veterano deu o conselho final aos jovens que, como ele, sonham em ver uma São Paulo diferente: “Cada um de vocês deve fazer só as coisas que acham que é legal para vocês, não seguir a TV ou a opinião dos outros, porque os projetos exigem sempre muita dedicação e quando a gente faz o que quer, fica com mais forças”.
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