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Nossa São Paulo

Cidadãos do mundo – visão de bastidores

Sebastião Ferreira da Silva

Por volta das 15h do dia 17 de maio, os participantes do 1º Fórum Nossa São Paulo voltavam suas atenções à apresentação de propostas do Grupo de Trabalho de Educação, do Movimento Nossa São Paulo. Enquanto isso, seu Sebastião consertava uma luminária na rampa que dá acesso ao piso superior do Sesc Vila Mariana.

O evento, em seu terceiro dia, mudou a rotina de trabalho do eletricista. Das tarefas cotidianas de trocas de lâmpada e conexão de fios, passou a assessorar equipes de TV e rádio, que faziam a cobertura, nas instalações com a rede local do prédio, o que tornou seu dia mais corrido.

As novas atividades permitiram que seu Sebastião também prestasse atenção nas palestras do Fórum. Enquanto ficava de plantão dentro do teatro, dava uma escutada no debate. “A intenção do pessoal é boa, são propostas para melhorar a cidade, mas eu acho que o governo também tinha que estar aqui. Só palestra não adianta”.

Para ele, a cidade em que vive há mais de 40 anos está terrível. “Precisa melhorar, e muito, principalmente o transporte”. Se a proposta do Fórum é discutir com a sociedade problemas e soluções locais, seu Sebastião tem respostas na ponta da língua. Disse ele que o “Fura-fila” não beneficiou em nada, apesar de terem colocado uma montanha de dinheiro, e que a melhor solução no momento é ampliar as linhas de metrô. Enquanto isso, ele aguarda pelas mudanças, mas não parado. Volta para terminar o serviço que interrompemos.

Henrique Lopes do Nascimento

Diferente do funcionário da manutenção, Henrique, 19, cumpria direitinho sua função de ficar num mesmo lugar, na parte de dentro do prédio, esperando um problema acontecer. “Aqui a gente ajuda o pessoal a passar o cartão na catraca, pra quem não sabe, encaminha quem precisa para a seção de achados e perdidos, ou se encontramos alguma coisa, a gente leva pra lá também”, explica.

O número de pessoas dobrou, segundo ele, nos últimos três dias. Henrique tem conhecimento do evento, mas não sabe bem porque as pessoas estão lá. A rotina um tanto pesada, talvez, de seu primeiro emprego com registro em carteira, não permitiu que o atendente pesquisasse melhor o que significavam todos aqueles cartazes.

Apesar disso, sabe diferenciar a cidade que vive há quase um ano da que saiu, em Pernambuco. “Aqui é bem poluído, né”, diz. Mostra insegurança ao voltar pra casa, dificuldade em pegar ônibus e vontade de retornar de onde veio. Se gosta de morar aqui? “Não”, afirma sem hesitar. “Daqui uns três anos eu volto”.

A alguns passos do balcão de Henrique, a lanchonete é o ambiente de quem descansa por um instante, aguarda por um espetáculo ou simplesmente joga conversa fora. É nesse meio que Ivan prepara, há 11 anos, os muitos capuccinos diários, recebe pedidos, repassa para a cozinha, pega os pedidos e serve os clientes.

Já foi militar, integrante do Partido dos Trabalhadores, músico. Hoje está no terceiro ano de Ciências Sociais, é produtor musical, trabalha como voluntário em uma organização no Jabaquara, onde mora, e hoje está na função de atendimento da cozinha, desta vez no Sesc. “Sou cidadão do mundo”, exclama, diante de uma pergunta sobre seu futuro. “O dia de amanhã eu só penso quando eu acordar, entendeu”.

Depois de tantas atividades distintas ao longo da vida, conta que entrou no Sesc porque queria estar no meio cultural, especialmente nos processos de produção artística. “Não consegui entrar de outra forma, então vim ser atendente”. Pretende mudar de área depois? Não. Ivan sai do emprego em setembro, para trabalhar em um evento que ele mesmo idealizou e produziu.

Ivan Gonçalves

Fala com orgulho do “Canto por um novo dia”, que acontecerá dias 8 e 9 de novembro no Memorial da América Latina. “Vai ser um encontro de grandes nomes musicais e jovens talentos. Já está quase tudo pronto, só falta ligar para os patrocinadores”.

Definir um problema como o maior da cidade de São Paulo não foi fácil para Ivan. “São tantos”, diz. Mas acaba citando “segurança” e, como um bom cientista político, aproveita para apontar as desigualdades sociais, a falta de estrutura que o governo oferece para as favelas e até nos eventos culturais que promove.

É hora de voltar a pegar os pratos pela janela que separa o espaço de atendimento da cozinha. Do lado de dentro, Francisco e Natália preparam os lanches para o público do local. Os pedidos aumentaram por conta do evento, mas Natália não teve tempo de ver do que se tratava a movimentação. Francisco afirmou com modéstia que sabia por cima, mas explicou passo a passo o que se passava no teatro.

A justificativa da gastrônoma por estar alheia foi sua rotina de bater o cartão pela manhã, entrar na cozinha, e só sair no fim da tarde, quando vai embora. Francisco concorda. “A gente não sabe muito bem o que acontece por aqui”. Já a curiosidade do jovem pode ser explicada pela profissão que pretende ter no futuro. “Quero fazer jornalismo e continuar trabalhando aqui no Sesc”.

Natália Iwassaki

A violência foi consenso entre a dupla como o aspecto que merece mais atenção dos governantes da capital paulista. “Pela desigualdade social, que leva as pessoas a tomarem atitudes agressivas”, argumenta Francisco. A comandante do recinto nos interrompe, dizendo que a porta não pode permanecer aberta, e seguimos rumo à concentração de pessoas que assiste a divertidas esquetes de palhaços.

Onde tem palhaço, tem criança. E onde tem criança assistindo palhaço, tem pipoca no chão, que Ermílio caça insistentemente, carregando pá e vassoura, para manter o lugar razoavelmente limpo. Nos espetáculos, a pipoca é o lixo mais comum. Nos eventos, onde os menores não têm presença, como o Fórum da Nossa São Paulo, o que costuma pegar de monte são copos descartáveis.

Ermílio reclama da administração pública da cidade, opinião pouco citada até então, mas de mesma ou maior importância. Não tem tempo para conversa, o jeito é varrer a sujeira física que os freqüentadores espalham pelo chão, já que os governantes não varrem a deles.

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  • 20 de novembro de 2008 - ANDERSON AMORIM em Um brasileiro na Guiana Francesa: Se puder meu email é empreiteiraamorim@uol.com.br
  • 20 de novembro de 2008 - ANDERSON AMORIM em Um brasileiro na Guiana Francesa: Como faço pra ir com minha empresa para guiana francesa..a lguém pode me ajudar
  • 12 de novembro de 2008 - cleide moraes em Um brasileiro na Guiana Francesa: Boa tarde gostaria que vc me imformasse como faço pra encontrar um parente que esta na guiana francesa,nâo sei qual a cidade que ele se encontra a unica coisa que a nossa familia sabe è que ele foi pra essa cidade...Na verdade estamos desisperados por ja disseram que ele foi morto...Por favor se vc souber