O Grupo de Trabalho (GT) Indicadores da Cidade apresentou no Fórum Nossa São Paulo propostas para melhorar a organização desses dados, com o objetivo de construir uma cidade mais justa e sustentável. Entre as propostas estão: garantir que todos os órgãos responsáveis por atendimento público disponham de equipamento, sistema de informática e pessoal habilitado para efetuar registro de seus atendimentos; disponibilizar dados dos órgãos públicos e organizações, incluindo a metodologia aplicada para sua obtenção, para download em formatos universais; montar sistema de acompanhamento da execução orçamentária por subprefeitura e distrito.
A construção dos indicadores sobre a qualidade de vida e os serviços públicos oferecidos na cidade é um dos eixos de sustentação do Movimento Nossa São Paulo. A compilação desses dados é importante para servir de base ao desenvolvimento de metas nos programas de governo e para incentivar a população a acompanhar a evolução dos indicadores e cobrar o cumprimento das metas estabelecidas.
Segundo Oded Grajew, um dos fundadores do Movimento, o Nossa São Paulo surgiu de um descontentamento com o nível do debate político e com as propostas para o país e para os estados nas eleições de 2006, em que nenhum dos candidatos apresentou metas a serem cumpridas em seus mandatos.
“A idéia é exigir que a prefeitura e os órgãos responsáveis produzam e divulguem indicadores por subprefeituras e por distritos para que, cada vez mais, a população passe a acompanhá-los”, afirma Maurício Broinizi, membro da secretaria-executiva do Movimento. Ao levar os índices até as subprefeituras e distritos, chega-se mais perto do cidadão, do bairro que ele conhece.
São Paulo tem problemas crônicos de desigualdade social e regional, diz Maurício Broinizi, Movimento. “É uma cidade muito rica, com um grande potencial econômico, mas a renda, os serviços e equipamentos esportivos, culturais e de saúde são mal distribuídos”, afirma. Contudo, ele acredita que a cidade tem os recursos intelectuais, tecnológicos, sociais, políticos e financeiros para diminuir significativamente essa desigualdade.
Em posse dos indicadores, as pessoas podem comparar diferentes regiões de forma positiva, tomando as subprefeituras com bons indicadores como exemplo de como é possível melhorar. Segundo ele, o cidadão precisa participar mais da vida política e cuidar da cidade como se ela fosse a sua casa, co-responsabilizando-se por monitorar e fiscalizar o poder público. Para isso é preciso ter acesso às informações e desenvolver essa cultura entre os cidadãos. “Temos que introduzir essa base de dados, que é fundamental para uma boa gestão pública”, afirma Broinizi.
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