Em meio ao debate sobre transporte e mobilidade urbana do I Fórum Nossa São Paulo, a iminência de uma provável greve nos ônibus metropolitanos na segunda-feira que vem fez surgir entre às perguntas da platéia uma questão um pouco desviante do propósito da mesa - mas ainda boa para pensar.
Não era o propósito da discussão, e por isso o assunto durou pouco menos de dez minutos, mas foi um dos momentos que mais mexeu com os ânimos da platéia. A pergunta:
- Por quê a greve e não a catraca livre?
A possibilidade de usar o transporte público de graça parece um meio eficaz conseguir o apoio daquela boa parte da população de São Paulo que, irritada com as paralisações do transporte que colocam a cidade à beira do caos, são mais propensas a maldizer os motoristas em campanha salarial do que a compreender as motivos. Será que os sindicalistas, tanto do metrô quanto dos ônibus, nunca pensaram em mudar os meios da luta?
Wagner Gomes, presidente do Sindicato dos Metroviários, justificou os motivos de sua categoria. A greve é um meio legal, garantido pela Constituição Brasileira, de reivindicar o aumento de salário. Já liberar a catraca, ele afirma, além de ser crime, causa prejuízo ao patrão.
A representante dos pedestres na mesa, Assunción Blanco, lançou então uma provocação: e os trabalhadores, que não podem ir trabalhar em dia de greve dos transportes? É preferível prejudicar o trabalhador ao patrão?
Assunción foi aplaudida pela platéia, mas a pergunta ficou suspensa. Foi a vez dos motivos de Luiz Gonçalves, diretor do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano, mostrar seu lado:
Se os motoristas fizerem a greve, desrespeitando uma determinação judicial, sua multa é de 250 mil reais. Agora, se eles liberarem a catraca para os mais de um milhão de passageiros diários dos ônibus paulistanos, os manifestantes vão ter que arcar com o preço do bilhete de todos esses passageiros, porque a catraca registra as passagens.
Um rapaz do fundo do auditório ainda propôs que não seria necessário cruzar a catraca se as portas dianteira e traseira do ônibus fossem abertas. Mas seu cometário se perdeu em meio à dinâmica própria do debate.
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