Mais de 200 idéias surgiram para melhorar a saúde na cidade a partir do 1º Fórum Nossa São Paulo. Foi a área que mais recebeu propostas, segundo balanço mostrado por Maurício Broinizi, do Movimento Nossa São Paulo, durante o encerramento do Fórum. Uma mostra de que saúde está entre as preocupações principais dos paulistanos – sobretudo na questão da infra-estrutura.
“Uma cidade justa e sustentável é também uma cidade saudável”, defende Ana Carolina Ayres, historiadora que trabalha dialogando com os temas meio ambiente e saúde. Ela integra a equipe do Pavs, Projeto Ambientes Verdes e Saudáveis, da Prefeitura de São Paulo. Ela compôs a mesa que apresentou as propostas na manhã desse domingo, último dia do Fórum. Ao seu lado, estavam o médico Mário Bracco, da Associação Cruz de Malta e do Hospital Albert Einstein, e o jovem Rafael Biazão, representando o Unicef e o Projeto Viração.
A gente quer mais estrutura
A historiadora conta que as propostas em saúde se dividem em três eixos: assistência, que abrange o tratamento; prevenção e promoção de saúde. “Mas a maior parte das propostas está relacionada à assistência. Principalmente, na atenção básica e terciária, como ‘construção de unidade básica de saúde em tal e tal bairro’, ‘construção de hospital em tal bairro’. São propostas por mais infra-estrutura”.
Carolina diz não saber bem porque essa prevalência ocorreu. Mas pôde perceber que a maior parte das pessoas que enviaram esse tipo de proposta foram os usuários da saúde pública, e não pessoas que pensam a saúde e trabalham com ela. “É a preocupação das pessoas comuns e que passam todos os dias pelas dificuldades com o equipamento da saúde”.
Insatisfação
Segundo pesquisa de percepção encomendada ao Ibope pelo Movimento, dos 1.512 paulistanos entrevistados, 70% se disse insatisfeito com o sistema de saúde pública. A avaliação dos prazos para atendimento ficou negativa na mesma medida, tanto para consultas quanto para exames e procedimentos mais complexos, como cirurgias: a insatisfação ficou entre 74% e 78%.
“Você tem que prever quando estará doente”, brincou, com certa seriedade, Rafael Biazão, depois de apresentar uma das propostas de jovens da cidade para a saúde, que tratava exatamente sobre agilidade no atendimento. “A população cresce, cresce, cresce e o poder público tem pouca agilidade em chegar às periferias e dar conta dessa demanda”, aponta Carolina.
A infra-estrutura é um problema latente, mas que demanda médio e longo prazo para ser resolvido devido à demanda. Dentre as propostas em assistência de caráter mais imediato, Carolina conta que teve destaque a questão do conselho gestor em saúde. “É preciso fortalecer espaços de diálogo entre poder público e comunidade”.
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