No primeiro dia de viagem, nosso contato foi quase estritamente com os militares (o que, na verdade, não mudou muito nos outros dias). O texto abaixo foi escrito na quarta-feira, logo após a primeira noite que conseguimos sair e comprovar que os relatos de violência que ouvíamos o tempo todo, eram puro exagero.
Estávamos super animados para sair e conhecer a noite em Marabá, mas isso na aconteceu, pois nossa saída foi boicotada. Os militares alegavam que a cidade é muito violenta e citavam em todas as falas uma estatística de oito mortes por dia. Reclamações a parte, fomos dormir pouco depois de chegar ao hotel de trânsito de oficiais (HTO), onde ficamos hospedados, com o pensamento já voltado para a noite seguinte, em Belém.
O dia foi muito corrido e cansativo e continuávamos sem publicar nada no blog, pela falta de internet. Não só os coordenadores queriam que postássemos, como todos estávamos ansiosos para escrever. O problema foi resolvido a noite, quando finalmente, no novo HTO, conseguimos nos conectar. Viva o wireless! Jantamos e partimos para o quarto da Chris, que logo virou uma redação, com três computadores e muito barulho. Alguns desistiram da saída, trocando a cervejinha e a balada pela cama.
Após a invasão do quarto pelo major Andari e a tenente Carina, que não agüentavam mais nos esperar para sair, descemos às pressas. A “comitiva” da balada, de apenas 12 pessoas, estava a postos às 23h30. Andari foi o responsável por providenciar nosso deslocamento. Sairíamos todos juntos, sem deixar ninguém na retaguarda, afinal se Marabá foi considerada violenta, que dirá Belém, uma “cidade grande”. Logo, haviam três táxis nos esperando e partimos rumo ao “Barcelona”, sem ter a menor idéia do que esperar do lugar.
Chegando lá, perdi a esperança de conhecer o technobrega. O lugar não era nem um pouco diferente de qualquer balada de Santos ou São Paulo. Logo que entramos, ouvimos as mesmas músicas de sempre, de MPB e pop rock. O lugar era até um pouco chique, totalmente diferente do que esperávamos. Corremos para aproveitar a caipirinha grátis, que era só até meia-noite e fomos dançar.
Me arrependi de não ter levado a máquina digital, pois a noite teria rendido muitas fotos. Pedi para uma moça que estava lá tirar uma foto nossa (que me foi enviada por e-mail logo no dia seguinte) e ela falou que era um absurdo não termos levado nossas câmeras por medo de roubo, pois ao contrário do que haviam nos falado, Belém não é uma cidade violenta. É uma capital e como qualquer outra, exige cuidados, mas nada além disso. Ela até deu risada, quando falou que o grupo era de São Paulo e estava com medo de ser roubado no Pará. Foi tudo muito tranqüilo. O povo de lá é animado, hospitaleiro, super simpático e não saiu nenhuma briga a noite toda.
A melhor parte da noite foi quando começaram os ritmos diferentes e nos sentimos realmente em uma balada paraense. Depois de música eletrônica, funk e forró, começou o brega melody. Nós, que queríamos tanto conhecer esse estilo musical, mal percebemos sua diferença do forró. Ao contrário do que pensávamos, o ritmo não toca só em casas específicas, mas em quase todas as baladas de Belém e o pessoal canta e dança todas as músicas. A segunda banda, Amazon Java, veio com o reggae, que animou nosso grupo e botou todo mundo pra dançar.
O horário já estava avançado, mais de 2 horas, e precisávamos ir embora, para acordar às 6h30 e cumprir a programação superlotada de todos os dias. Quando já estávamos saindo, veio mais uma surpresa, o carimbó. Nunca imaginei que tocaria um ritmo tão regional na balada. E mais uma vez: todo mundo dança. E não de qualquer jeito, mas com passos específicos. Coisas do Pará!
E a noite foi assim. Com muita diversão, dança, risadas e nada de engrossar as estatísticas de violência no Brasil.
Agradecimentos a Mariane Sarmento, que tirou nossa foto e me enviou super rápido.
CERVA!
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