Depois de ouvir a perspectiva do Exército Brasileiro sobre a Amazônia, os estudantes do Repórter do Futuro, da Oboré, conheceram hoje um outro lado, de pesquisadores que trabalham na região. Alexandre Pessoa, geólogo, Rogério Pateo, antropólogo do Instituto Socioambiental (ISA) e Gabriel Ribenboim, biólogo da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), levantaram novos questionamento, como a falta de preparo dos jornalistas ao cobrir a questão indígena e os reais interesses das organizações, públicas ou não, que atuam na área.
Pessoa compartilhou com o grupo alguns de seus trabalho, como os projetos Poconé e o Teles Pires, realizados em 1995 e 1996, nos quais realizou um raio-x de todos os garimpos operantes do Mato Grosso e nunca teve seus resultados publicados, devido a uma cláusula no contrato com o financiador. Ele se preocupa, pois diz que o grande nível de desconhecimento dos estrangeiros sobre o local resulta em intervenções perigosas. E completa: “o estrangeiro pode ser o fulano que sempre morou no Rio de Janeiro ou em São Paulo e quer pensar e decidir a Amazônia”.
O pesquisador alertou ainda sobre a gravidade de jogar para a mata os problemas que foram gerados fora dela. Qualquer forma de ocupação lá deve respeitar o estilo de vida do amazônida, que precisa da floresta e do rio para se sentir seguro.
O representante do ISA preparou um “guia” com informações básicas que um jornalista deve conhecer para cobrir os problemas que os índios enfrentam no Brasil. Especialista nessas populações, trabalha no monitoramento das Terras Indígenas e, de primeira, colocou a importância de não se simplificar a questão.
Existem no Brasil hoje 227 povos indígenas cadastrados (há referência ainda de cerca de 40 em isolamento voluntário), que falam mais de 180 línguas, o que já dá uma mostra do erro que cometemos ao falar dos índios de forma generalizada. Para ele, a Constituição de 1988 trouxe benefícios, ao reconhecer direitos desses povos.
Ao contrário dos representantes do Exército, Pateo defende os índios na luta pela Raposa Serra do Sol, onde vivem 18 mil ianomâmis, e é a favor de sua demarcação contínua. O Instituto se mantém com um orçamento anual de R$ 15 milhões, sendo que 80% desta renda vem de fontes estrangeiras.
Ribenboim, do FAS, uma organização bem nova, oficializada em fevereiro e atuante desde março, apresentou o trabalho realizado, em parceria entre o Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco S.A. A fundação pretende lutar pela conservação das florestas e a melhoria da qualidade de vida das populações que nela vivem, com iniciativas como o Bolsa Floresta, primeiro programa brasileiro de pagamento de serviços ambientais feito diretamente para as comunidades que residem nas Unidades de Conservação do Estado.
Hoje, haverá dose dupla. Daqui a pouco, temos um encontro com a médica Norma Vasconcelos, ex-secretária de saúde do Pará. Amanhã, falaremos com o jornalista e editor-executivo da revista Estudos Avançados, IEA-USP, Marco Antonio Coelho, que falará sobre a Vale do Rio Doce e a Amazônia.
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