Por Lucas Frasão e Circe Bonatelli
A madrugada de segunda-feira começou fria no centro de São Paulo. Moças de minissaia dividem a rua com andarilhos enrolados em cobertor e os primeiros carros apressados da semana. Um deles, nem tanto, para um michê. “Evacua, evacua”, o sargento Leite avisa que o ônibus precisa estacionar. Missão baliza concluída com sucesso.
“Eu servi o Exército lá no Mato Grosso, mas me deixaram sozinho no meio do mato e falaram pra me virar! O senhor acredita?”, um andarilho mira o comandante da operação. “Quem é o senhor?”, pergunta destemido. “Genera!”, bradou o coronel. O andarilho muda de assunto e deixa a turma com um troco para o café (ou para a pinga).
Verde chumbo, ano de fabricação 1996, placa Brasil BRZ 6829, o ônibus do Exército começou a rodar às 6 horas e 31 minutos. Chegamos na Base Aérea de Guarulhos, ao lado do aeroporto internacional, três quartos de hora depois disso. A turma do Repórter do Futuro esperou paciente o preparo da aeronave da Força Aérea Brasileira. Nada de check-in, bilhete aéreo, aeromoça ou detectores de metais. Pesamos bagagens, falamos, falamos, falamos e, às 8 horas e 26 minutos, embarcamos assim para Marabá:
Victor Ferreira: de jeans, cachecol, três camisas e um blusão, além de uma espinha no lábio, ele havia passado a madrugada viajando de Camanducaia a São Paulo.
Bruno Huberman: visual de sempre, com tênis verde da Adidas, blusão cinza, óculos e cabelos esvoaçados.
André Cruz: calça de um verde parecido com o do Exército, camiseta e camisa aberta e uma pulserinha bem velha de Nossa Senhora Aparecida.
Elisa Estrogniolli: de tênis da Topper, jeans, blusa preta, óculos e cabelo curto, atrás da orelha.
Circe Bonatelli: jeans, agasalho preto, óculos, bigodinho, barba e um piercing na orelha.
Mariana Felippe: de jeans, blusa bege e câmera pendurada no pescoço. Acordou bem cedo para sair de Santos e chegar a São Paulo no horário combinado.
Juliana Belda: de unha rosa discreta e blusinha verde, saiu bem cedo de casa e quase não conseguiu chegar no horário combinado.
Roberto Taddei: combinação notável, de nike com cadarço laranja, meia vermelha e blusão azul.
Luiz Prado: all star, barba, bigode e cabelos compridos, ficou com a mochila nas costas grande parte do tempo na sala de embarque.
Lucas Frasão: de jeans com bloquinho no bolso e camisa verde listradinha com caneta pendurada no meio dos botões.
Allan Ravagnani: de camisa branca, topete erguido delicadamente com gel, combinando com os olhos verdes.
Luana Lila: de jeans e blusa preta, não largou a mochilinha com sua câmera fotográfica por nada quando estávamos na sala de embarque.
Christiane Peres: avessa a fotografias, de óculos, brinco e cabelo liso.
Giuliano Tourino: de jeans e boina, sentado com a câmera no colo e o fone de ouvido pendurado no pescoço.
Gustavo Brandão: de all star, calça e jaqueta jeans, não parou de ler a Folha de S.Paulo na sala de embarque.
Pedro Ortiz: o professor vestia camiseta com estampa sobre Minas Gerais, jaqueta azul e calça bege. Bateu muito papo com o Coronel Barboza antes de subir no avião.
Coronel Barboza: voz forte, direta, de uniforme, relógio e aliança no braço esquerdo.
Tenente Zuccaro: de uniforme com gorro, sentado, lia pacientemente um livro sobre investimentos.
Chegamos a 26 mil pés (9 mil metros), barulho forte na aeronave, -13 graus lá fora, você senta na poltrona sobre uma asa e vê a ponta da asa do lado oposto. Cabem 30 pessoas, mais dois pilotos no Embraer 120. O tanque tem capacidade para até 2.600 quilos, mas decolou com cerca de 1.600 por causa do peso da bagagem. Precisamos reabastecer em Brasília, onde mais companheiros integraram a expedição:
Major César Andari: de macacão (flight suit) da aeronáutica, óculos de haste lisa e relógio ultra moderno, com transmissor para casos de emergência, cedido pela Fumaça.
Capitão Garcia: de olhos verdes e mp3 pendurado no pescoço, ouvindo Zeca Pagodinho e Martinho da Vila.
Sargento Sebastião: alto, quietão e simpático, é o cinegrafista oficial que nos acompanha na viagem.
Tenente Carina: vaidosa, de brincos, batom, cabelos loiros e presos, além de um óculos super moderno.
Também voaram “de carona” mais duas moças, uma filha do piloto e a outra, não identificada.
Já podemos fazer o desfile da “Amazônia Urbana”, com nossos barbudos e nossa moças prendadas de cabelo atrás da orelha… Muito bom Lucas!!!
Um grande abraço.