Por Juliana Belda, Luana Lila e Mariana Felippe
Para viajar à Amazônia Oriental com a OBORÉ todos tivemos que assistir a um curso preparatório de quatro dias e ainda estudar pautas para serem abordadas no local. Aqui, percebemos que, mesmo com todo esse empenho, algumas visões pré-estabelecidas não foram derrubadas. Uma delas foi sobre a Usina Hidrelétrica de Tucuruí (UHT), assunto surgido ainda em São Paulo. Víamos a construção com muitas ressalvas, tanto pelo impacto ambiental quanto social, pois só conhecíamos a história da barragem que desabrigou e não indenizou adequadamente os ex-moradores.
O discurso do Exército trouxe outra versão dos fatos: uma usina que trouxe o progresso para a população, emprego e infra-estrutura para a cidade. No entanto, por não termos a oportunidade de confrontar as declarações oficiais com a dos outros atores envolvidos, continuamos com o pé atrás, ou seja, ainda irredutíveis em nossa posição anterior.
No almoço desta terça-feira (22), ainda antes da visita à UHT, assistimos a uma apresentação de danças regionais e, após saborear o mousse do cupuaçu e sorvete de açaí, aproveitamos para conversar com os dançarinos - Aline Morais, Lena Ribeiro, Carlos Henrique Monteiro e Igor Barros -, os únicos civis de Tucuruí com quem conseguimos ter contato. Os quatro têm ligação direta com a usina. O irmão de Aline é operador de máquina na usina, o pai de Lena é topógrafo e trabalhou na primeira etapa de construção da barragem e o irmão de Carlos Henrique também trabalha no local.
É unânime entre eles que a usina é a maior empregadora da cidade, com vagas em construção e prestação de serviços, trazendo desenvolvimento aos moradores. Por outro lado, há também reclamações. Igor, que mora no bairro da Matinha, terá que deixar sua casa em breve, para o início das obras da eclusa que possibilitará navegação no rio Tocantins. Segundo ele, sua casa foi medida e avaliada, mas o valor oferecido não é suficiente para que a família se realoje em uma nova casa do mesmo padrão. Além disso, ele também não concorda que seja pago apenas o valor real da casa, já que eles serão obrigados a mudar sem direito de escolha, o que exigiria uma indenização.
Agora, assim como eles, temos uma visão mais próxima da contradição que existe no cotidiano de Tucuruí. A usina trouxe sim empregos, mas não consegue esconder na paisagem a destruição ambiental.
Creio que seria importante que vcs entrevistassem os participantes de movimentos sociais da região. Como por exemplo o pessoal do Movimento dos Atingidos por Barragens, sindicato. Em Belém, podem entrevistar o jornalista Lúcio Flávio Pinto, jornalista premiado, que edita o Jornal Pessoal, jornal alternativo que é fundamental para quem deseja conhecer a Amazônia .