Depois de uma viagem a locais cuja densidade demográfica chega a ser menor que um habitante por km2, resolvemos nos agrupar em cinco pessoas em torno de uma mesa com não muito mais que 50 cm2: o único lugar do estabelecimento que nos sobrara para beber algo gelado, ver fotos e conversar sobre a Amazônia. Afinal, duas semanas de curso não saturara o assunto (e não deveria) , e nem uma semana de convivência fora o suficiente para tantos papos.
Mas, não tardou para que chegasse o sexto elemento do grupo e, então, fosse necessário procurar um lugar mais vazio. São as discrepâncias desse país, enquanto na Amazônia ainda se preocupa em “vivificar” determinadas regiões - embora esse fato seja questionável-, em São Paulo há uma guerra por espaço. Quem vive em São Paulo está sempre procurando uma vaga.
É claro que mesmo a “erma” Amazônia também não está isenta de tal guerra. Não é novidade alguma os intensos conflitos entre grileiros, posseiros, madeireiros, índios, pesquisadores, latifundiários, entre outras pessoas.
No entanto, só depois que sobrevoamos o Pará e vimos enormes áreas devastadas; que entrevistamos pesquisadores no Museu Paraense Emilio Goeldi, e soubemos de suas dificuldades; que conversamos com um morador insatisfeito de Tucuruí que seria deslocado devido às obras da eclusa; só depois de tudo isso que tomamos o problema como nosso também. E aí vejo o quão fútil pode ser procurar uma mesa no bar. Esse é um pouco do pós-amazônia.
O sexto elemento mencionado era Luana, que chegou nos contando uma novidade: havia acabado de pedir demissão. Embora gostasse de sua função naquele emprego, depois da Amazônia, ela resolvera mudar, ir atrás de outras coisas.
Acho que todos nós mudamos.
Muito legal o texto ju… bem pós-moderno/pós-amazonia
A Lu não é a única! A partir de quarta, inicio em casa (estágio) novo! Beijos, queridos