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Descobrir a Amazônia - 2008

Rumo ao rio das formigas

DIA 2: TERÇA-FEIRA (22) – TUCURUÍ (PA)

Diferentemente de São Paulo, Marabá já amanhece quente e o passar das horas só vai acentuar o calor. O destino do segundo dia no Pará é Tucuruí – nome indígena que significa rio das Formigas – e seu clima não é diferente.

Comandante do 23º Esquadrão de Cavalaria de Selva, o major Pfaender apresenta o trabalho de seu grupamento, “o único esquadrão de selva do Brasil”, defende ele. Assim como todos os pelotões, companhias e brigadas do Exército sua função é defender a soberania nacional e para isso usam armamento pesado, caminhões, barcos e até urutus, blindado utilizado pelos capacetes azuis na Missão de Paz no Haiti. “É tudo para defesa do nosso território”, explica o major.

Além do trabalho habitual, Pfaender conta que a Usina Hidrelétrica de Tucuruí também já fez parte de sua rotina de trabalho. Com pouco mais de 90 mil habitantes, o pequeno município teve sua história transformada pela construção da Usina Hidrelétrica. Não foi apenas sua configuração geográfica que mudou – com a inundação de Breu Branco e Repartimento –, mas a base econômica, a formação da população e as perspectivas acompanharam essa transformação. “Fazendo de Tucuruí um pólo de geração de energia com capacidade para explorar, de forma racional, as belezas naturais enriquecidas pelo lago artificial”, dirá Pina, um dos responsáveis por apresentar a hidrelétrica aos estudantes.

Com ou sem geração de energia e desenvolvimento, o major relembrou sua última atuação em defesa do “patrimônio nacional”. “Foi no ano passado, a chamada Operação Barragem, que teve início com um protesto pacífico do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e virou uma invasão da hidrelétrica depois que um policial acertou um tiro de borracha em um manifestante”, conta.

O episódio relatado aconteceu em outubro de 2007, quando cerca de 300 manifestantes reivindicavam pacificamente o pagamento de indenização às famílias desalojadas por causa da construção da hidrelétrica, há mais de 20 anos. “A idéia era que eles desocupassem o local ao meio-dia, mas depois do tiro de borracha que acertou um deles, todos resolveram invadir a usina. Tinha mulher, criança. Todos acampados, sem comida, nada. Por isso sabemos que não tinha sido programado para acontecer”, relata Pfaender. À época, os veículos de comunicação divulgaram que durante a invasão, os manifestantes ameaçavam atear fogo e danificar aparelhos das salas de controle caso as reivindicações não fossem atendidas. Depois de dois dias de acampamento dentro das instalações da hidrelétrica, o Exército foi chamado para intervir.

Foram 750 homens designados para a operação. Dois militares e meio para cada manifestante. Mas nem um tiro foi disparado. “As negociações aconteceram e as pessoas saíram”, afirma o major que diz ter boas relações tanto com os dirigentes da usina, como com os representantes dos movimentos sociais locais.

Hoje, quase 10 meses depois do ocorrido, as instalações da usina já não são mais as mesmas. Os vidros que foram quebrados durante a invasão foram substituídos por concreto, grades e muros por todos os lados reforçam a segurança do lugar, que se mostrou frágil e incapaz de se proteger, apesar da grandiosidade da construção.

Os temas abordados na visita daquela terça-feira (22) esquentaram ainda mais o clima da pequena Tucuruí. Com a versão do Exército e da hidrelétrica em mãos, faltava ainda ouvir a versão dos integrantes do MAB. Mas não foi possível. A agenda apertada da viagem impossibilitou que os estudantes fizessem as entrevistas na cidade - já marcadas desde São Paulo. Ficaria para depois.

Assim, às pressas, todos se dirigiram até o aeroporto de Tucuruí. Embarcar era preciso. À noite, o avião não decola. Não é como os vôos comerciais. Um Brasília só levanta vôo durante o dia. Já eram quase 17h e o destino era Belém (PA).

A chegada na capital paraense se deu no início da noite. No Hotel de Trânsito de Oficiais, estudantes e coordenadores ficariam durante duas noites: tempo das programações no local e dos primeiros relatos da viagem feitos por eles. Diferentemente de qualquer lugar da conhecida São Paulo, os estudantes aprenderiam nessa viagem que, na Amazônia, acesso à internet ainda é para poucos. E Belém foi um dos poucos lugares onde ele aconteceu.
Hidrelétrica de Tucuruí

Cabos de transmissão de energia. Foto: Bruno Huberman

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Um Comentário sobre “Rumo ao rio das formigas”

  1. Quero repassar

    Publicado por Ana | 26 outubro 2008, 18:36

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