O módulo Descobrir a Amazônia - Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter do Futuro, começou no último sábado, dia 9, no auditório do Instituto de Psicologia da USP. A abertura foi feita por César Ades, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, com representantes de instituições parceiras e da coordenação do curso:
General Adhemar da Costa Machado Filho, Chefe do Centro de Comunicação Social do Exército
Tenente Coronel Henry Wilson Munhoz Wender, Chefe da Divisão de Relacionamento com a Imprensa do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.
Pedro Ortiz, Diretor da TV USP e Professor da Faculdade Cásper Líbero.
Sergio Gomes, Diretor da OBORÉ Projetos Especiais em Comunicações e Artes.
Manuel Carlos Chaparro, Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e membro da Comissão de Especialistas em Jornalismo do Ministério da Educação e Cultura para a Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais.
A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Três especialistas na questão amazônica fizeram as primeiras conferências do módulo e responderam a perguntas dos estudantes após as exposições. O geógrafo Wanderley Messias da Costa, professor da USP, traçou um perfil de toda a região amazônica, presente em oito países. Para ele “a biodiversidade da Amazônia é uma falácia”, pois falta muita pesquisa para que se conheça verdadeira mente a região. Apenas 10% da flora amazônica, segundo ele, é conhecida e catalogada.
Wanderley também tocou em uma das questões que mais impulsionam o desmatamento na região: a pecuária. Uma pesquisa apresentada pelo professor, mostra que a receita líquida da criação de gado em cidades como Alta Floresta (MT) e Ji-Paraná (RO) passa de R$130 por hectare. Em Tupã (SP), que é uma das cidades tidas como referência da rentabilidade da pecuária no Estado de São Paulo, esse valor é de R$65 por hectare.
O jornalista Washington Novaes, com anos de experiência e livros publicados sobre a Amazônia, foi o segundo conferencista a falar. Ainda no âmbito da estratégia, Novaes apontou diversas falhas no planejamento brasileiro para a Amazônia. “Infelizmente o Brasil não tem estratégia territorial”, disse. Para o jornalista, os brasileiros vivem um momento de “retórica da indignação” e que a situação da região amazônia só vai mudar quando a sociedade “exigir informação e transformar isso em plataforma política”.
Grande parte da infra-estrutura da Amazônia, segundo o jornalista, é voltada para interesses externos. Ele citou a construção da hidrelétrica de Tucuruí (PA) como exemplo, que foi feita em parceria com o Japão para atender à produção de alumínio daquele país. Segundo Novaes, nos primeiros 20 anos da hidrelétrica R$4 bilhões em energia foi subsidiado para a produção do metal. O Brasil produz muito mais energia do que realmente necessita, ainda segundo o jornalista, e é possível enocomizar até 40% do que é gasto hoje com apagões, repotenciação de usinas e redução de perda na linha de transmissão.
Em suma, os parcos gastos federais na Amazônia não são suficientes para mudar diretrizes. “O orçamento do [Programa] Calha Norte, por exemplo, é ínfimo perto das necessidades”, disse Novaes. A fiscalização também foi criticada: “O Ibama só recebe 11% das multas que aplica”.
Outro profundo conhecedor do tema, o general Eduardo Villas Bôas, ex-Chefe do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia, também falou da questão estratégica da região. Para ele, uma das ameaças é a presença intensa de organizações não governamentais naquela área. “A agenda política das ONG’s vem de fora [do país]“, disse.
Após as três conferências, os estudantes fizeram perguntas aos convidados em forma de entrevista coletiva. Em uma delas, Washington Novaes respondeu o que resume o dilema não só da Amazônia, mas do consumo e do lucro no mundo todo, reflexo do modelo econômico adotado atualmente: “Se todo o mundo construisse tanto quanto os Estados Unidos, nós precisaríamos de mais dois ou três planetas, porque não há recursos”.
[...] Veja como foi o primeiro encontro, sábado, dia 9 de maio, em “Descobrir a Amazônia” trata de estratégias para a região. [...]