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II Fórum de Comunicação e Sustentabilidade - 2009

Fórum Internacional de Sustentabilidade discute os atuais padrões de consumo e a preservação do meio ambiente

Com o objetivo de promover a sustentabilidade e a sua importância para o Planeta, o ‘II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade’, realizado nos dias 6 e 7 de Maio, reuniu especialistas em diversas áreas que apontaram novos horizontes, inclusive nenhum horizonte. 

Na mesa formada pelos “amigos da floresta”: Mohan Munasinghe – Prêmio Nobel da Paz 2007, Marina Silva – senadora da República, André Baniwa – vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira, Washington Novaes – jornalista e Olinta Cardoso – ex-diretora da Vale, o tema abordado foi a Integridade Ecológica. Mediada pelo jornalista André Trigueiro, percebeu-se, logo no início, que o debate seria pautado pelas macro esferas da sustentabilidade.  

Convidado a inaugurar o debate, Munasinghe apresentou dados preocupantes do último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), como o crescente consumo de combustíveis não renováveis e a ocupação ilegal de áreas de proteção ambiental, como a floresta amazônica. Munasinghe salientou que devido à crise econômica mundial, muitos líderes estão deixando a esfera da sustentabilidade de lado para reerguerem suas economias. “Hoje a preocupação econômica está em primeiro lugar. No entanto, deveria haver um equilíbrio entre o social, o meio ambiente e as mudanças climáticas”, acredita o professor do Sri Lanka. 

Munasinghe propõe como forma de sustentabilidade participativa o “capital social”, uma espécie de intervenção no cotidiano buscando mecanismos de reaproveitamento do meio, independente da quantidade de pessoas afetadas por essas inciativas: “Existem modos de desenvolvimento sustentáveis formulados por pequenos grupos que funcionam muito bem, e a chave para isso chama-se adaptação”. 

Na seqüência, a senadora Marina Silva (PT-AC) disse que estamos diante de uma “esquina civilizatória”, onde de um lado temos o crescimento insustentável da humanidade e do outro, o reconhecimento do problema e de toda sua dimensão.  “A ética é que fará essa mudança civilizatória. Política sustentável não pode ser apenas propaganda”, disse a senadora. Marina também apresentou dados para dimensionar o tamanho do problema, como a perde da biodiversidade, que hoje já é mil vezes maior do que há 50 anos, e alertou: “Temos cerca de dois bilhões de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria, ou o planeta para ou não continuará existindo”. 

A ex-ministra do Meio Ambiente criticou a falta de investimentos no setor e avaliou que para alcançar as mudanças necessárias e conseguir um desenvolvimento realmente sustentável será preciso ter visão, processo e estrutura e não apenas interesses econômicos. “Devemos ter processos divididos em desenvolvimento e reconhecimento, ou seja, líderes que sejam capazes de dividir a autoria”, afirmou a senadora. 

Por fim, o jornalista Washington Noaves informou que já consumimos mais de 30% da capacidade que o planeta tem de se repor, e que para atender a atual demanda mundial de consumo seria necessário um novo planeta. Para ele, o combate ao aquecimento global custaria hoje algo em torno de 2% a 3% do PIB mundial – cerca de U$ 1,8 trilhão por ano. “Isso é muito pouco se comparado ao que já foi gasto com a crise econômica mundial e a tendência é aumentar cada vez mais”. 

Washington ressaltou também que é preciso rapidez no combate ao aquecimento global, pois já estamos vivendo sob seus efeitos e o resultado dessa lentidão na tomada de decisões pode ser catastrófico. O jornalista atribuiu à comunicação, o papel fundamental de mudança para este cenário. “Teremos que mudar a comunicação, pois este modelo hollywoodiano não pode continuar. A sociedade precisa ter informação de qualidade para elaborar propostas práticas e políticas para apresentar aos seus representantes”, disse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falta de sugestões desagradou o público 

O evento promovido pela Atitude Brasil (empresa de comunicação), reuniu dezenas de pessoas, principalmente estudantes universitários que buscavam mais informações sobre o que de fato é a sustentabilidade e como está sendo gerida no mundo. Entretanto, quem foi ao evento procurar por medidas práticas de sustentabilidade para adotar ao seu cotidiano frustrou-se, como a estudante de comunicação Graziela Teixeira. “Achei que dariam mais dicas de como praticarmos a sustentabilidade em casa além da compra consciente (madeira legal), mas a discussão ficou pautada às macro dimensões da sustentabilidade”. 

Comentários

Um Comentário sobre “Fórum Internacional de Sustentabilidade discute os atuais padrões de consumo e a preservação do meio ambiente”

  1. Eu estava presente e realmente a Senadora Marina Silva e Washington Novaes falaram o que é verdade e ninguém diz: Para a crise economica, eles injetam trilhões de dólares, mas para o meio ambiente ou direitos humanos, não. O índio André Baniwa falopu sobre os conhecimentos indígenas, que são desvalorizados pelo homem, mas mostrou que são uma forma de sabedoria válida como a ciência.

    Publicado por Graziela | 10 maio 2009, 22:44

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