Adriana Carranca, repórter especial de O Estado de S. Paulo, não abre mão de uma boa e emocionante história de vida
Luiz Gustavo Pacete
Adriana Carranca, 38 anos, começou sua carreira no jornal da Orla em 1993. Atuou também na revista Veja São Paulo e é atual repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo. Quando percebeu que se identificava com questões humanitárias e histórias de vida, preparou-se para aliar seu ideal de vida com a atuação jornalística. “À época que eu trabalhava na Veja São Paulo percebi que as matérias que fazia não tinham a ver comigo e estavam distantes de conciliar trabalho e valores pessoais. Fui para o jornal, em 2002, a fim de experimentar as várias áreas e ir aonde o leitor do jornal não poderia ir. Ali percebi que a questão social era a que realmente me atraia, trabalhava no caderno Metrópole e nas oportunidades que tinha me direcionava para os assuntos de meu interesse”, afirma.
A dedicação de Adriana em trabalhar mais, para cobrir o que realmente queria, demorou, mas foi reconhecida e resultou em sua atual vaga como repórter especial do jornal. Ao começar de fato lidar com matérias de temas sociais a jornalista percebeu que precisava de melhor preparo para escrever sobre o assunto o que a fez investir em um mestrado na área de Políticas Sociais na London School of Economics. “Quando comecei a cobrir esta área me sentia despreparada e achava que precisava entender melhor de onde surgem essas políticas sociais”. Adriana que realizou uma tese sobre o programa Bolsa Família afirma que a experiência neste curso lhe abriu a visão de mundo pelo contato com pessoas de diversos países e realidades.
Em 2007 Adriana foi por conta própria para o Irã, aproveitou seus dias de férias para conhecer a realidade do país persa e enxergar com seus próprios olhos a situação que até então ela afirmava conhecer somente pelas notícias. “Tinha a impressão que as informações que chegavam até mim sobre o Irã não retratavam de fato a realidade daquele país, queria olhar a realidade de lá com meu olhar, realmente foi uma surpresa quando me deparei com a situação daquele povo, descobri um país que vai muito bem apesar do corte de relação com os Estados Unidos”. A experiência de Adriana lhe rendeu um caderno especial, vendido para o jornal. Sua segunda viagem ocorreu em 2008 para o Afeganistão, desta vez enviada pelo jornal. Lá com o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha CICV a repórter foi constatar as mudanças que aconteceriam no país com as eleições estadunidenses. Em Cabul a jornalista entrevistou o Shah Muhamad Rais, personagem do livro O livreiro de Cabul.
Os 15 dias que Adriana esteve por lá renderam um caderno especial para o jornal. As imagens feitas pela própria jornalista viraram exposição. “Foi minha primeira experiência em um país em conflito, tinha uma grande inquietação de relatar as histórias encontradas naquele povo, pois as informações que chegavam até mim, sempre eram de bombas e mortos, mas fui com o objetivo de mostrar como vivem e o que fazem essas pessoas, vítimas da violência”. Ao falar de sua experiência Adriana não esconde emoção e envolvimento com as histórias e pessoas que relatou e conheceu. “Não tem como não se envolver, eu me emociono mesmo, nós jornalistas somos humanos, até porque essa sensibilidade vem da minha infância”. Para 2009 a repórter tem um novo projeto, o livro que contara sua experiência no Afeganistão, segundo título, seu primeiro publicado foi Os Endereços Curiosos de Nova York (Panda Books).
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