Com olhar diferenciado, jornalista privilegia histórias de pessoas comuns
Adriana Carranca, repórter especial do jornal O Estado de São Paulo, admite que não tem distanciamento com as pautas que cobre e, muitas vezes, se comove junto com seus entrevistados. No entanto, ao escrever uma matéria, tenta entender a partir de qual ponto de vista se está olhando, pois as realidades são múltiplas.
Com o intuito de conseguir mostrar toda essa complexidade ao seu leitor, Carranca sempre se imagina como um contador de histórias para um público cego, e por isso a importância de descrever as situações e as sensações.
Para ela, viajar a lugares que desconhece e onde a língua é uma barreira, olhar e sentir é muito mais importante do que as palavras, porque muito se perde com os filtros da tradução. “Eu não posso falar do que eu não conheço”: daí a necessidade de aproximação com as fontes.
Foi Irã em 2007, de férias, movida pela vontade de ver com seus próprios olhos, pois acreditava que as informações que chegavam até nós não eram exatamente a realidade. Isso tem a ver, segundo Carranca, com quem passa a informação: cada jornalista tem a sua formação. “Por mais imparciais que possamos ser, é sempre o seu olhar.”
Na tentativa de compreender as diferentes realidades, além de ter ido ao Irã, foi ao Afeganistão em 2008 para tentar entender qual o resultado humanitário da ação militar no país e recentemente passou uma semana no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. “Quero dizer os porquês. Ninguém fala dos vivos no Iraque ou no Afeganistão.” Seu foco, ao escrever, é outro, sempre no afetado.
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