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Situações de Conflito Armado - 2009

Testemunha Ocular da História

        O célebre bordão imortalizado pelo Repórter Esso resume muito bem o papel do correspondente internacional no jornalismo atual. A repórter do jornal Estado de São Paulo, Adriana Carranca explicitou muito bem esse significado, em entrevista coletiva cedida a futuros jornalistas,no Espaço Cultural Arena da Matilha. Recentemente envolvida em reportagens no Irã e no Afeganistão, a jornalista santista falou sobre as responsabilidade de um repórter frente a fatos chocantes como os que presenciou nesses países , de realidades bem distintas em comparação ao Brasil.

       A jornalista que começou trabalhando no Estadão no caderno Metrópole, confidenciou alguns fatos vividos em 2003 em sua viagem ao Irã. Ela confessou que sempre quis conhecer esses lugares arrasados por conflitos, que sofrem com milícias ou com o poder autoritário do governo. A idéia inicial era apenas passar as férias, mas Adriana sentiu que aquela realidade deveria ser retratada e passou a percorrer Teerã em busca de boas histórias em um país marcado pelo extremismo religioso e o autoritarismo político.

      Ao ser questionada sobre o envolvimento emocional com as fontes e com os fatos chocantes, Carranca foi categórica : “Eu não tenho distanciamento nenhum. Eu choro, fico deprimida, fico uma semana na cama, depois eu resolvo voltar a trabalhar”. Para a experiente jornalista , quando o repórter está em um lugar onde a comunicação é bem complicada , o olhar e o sentir são bem mais importantes que as palavras.

     Em 2008, Adriana esteve no Afeganistão e encontrou uma Cabul devastada, totalmente caracterizada pelos 30 anos de conflitos que assolam o país. Entretanto o objetivo da jornalista era transmitir uma outra visão dos afegãos, um ponto de vista que muita gente não conhece . Para Adriana, o repórter deve ser muito mais do que a testemunha ocular da história, tem que ser os olhos dos leitores brasileiros, que nunca enxergaram essa realidade.

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